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Dicas de intercâmbio na Irlanda, na linda Galway

Meu nome é Luciana, tenho 26 anos e em 2012 eu fiz um intercâmbio na Irlanda de um mês.

Todo o processo foi por intermédio de uma agência especializada, o que pra mim foi ótimo, afinal era minha primeira viagem internacional e também sozinha.

Eu escolhi a Irlanda por um motivo pessoal: queria muito conhecer o país, então associei minha vontade de aperfeiçoar o inglês com meu sonho.

Aqui, vou contar com detalhes como foi meu processo para fazer este intercâmbio na Irlanda.

Intercâmbio na Irlanda

Curso de inglês na Irlanda

Eu pesquisei valores em várias agências até chegar na Vision Intercâmbio por indicação de uma amiga. A Vision só trabalha com a Irlanda, então isso me deu mais confiança também. O atendimento foi ótimo e os valores estavam melhores do que as outras agências.

Eu fiz tudo com eles: a escolha da cidade, a escola, o tipo de acomodação e até a compra da passagem. Escolhi Galway porque pretendia fugir do óbvio de ficar na capital, Dublin, e por querer vivenciar a cultura irlandesa mais autêntica possível (Galway é a cidade mais afastada do continente, fica no extremo oeste e é uma das maiores do país).

Há duas escolas de inglês lá, eu escolhi a Galway Cultural Institute, que fica no bairro SaltHill, mas tem também a Galway Language Center, que fica no centro da cidade.

curso de inglês na Irlanda

O que me ajudou na escolha foram as recomendações da escola, além de ela ser maior e, de quebra, de frente para o mar com uma vista maravilhosa.

intercâmbio na irlanda

Os valores são calculados por semana e hoje em dia está 205 euros. Há a opção de complementar os estudos pela tarde, mas eu preferi deixar o resto do dia para o lazer. A matrícula está inclusa, mas a escola pede mais 55 euros para os livros e 55 euros pela taxa de acomodação.

No primeiro dia de aula há um teste de nível para todos os alunos novos, que inclui escrita e conversação. Não tem o que se preocupar neste teste, pois o resultado da avaliação te coloca exatamente na sala que vai proporcionar o melhor aprendizado pra você.

Eu, por exemplo, caí no avançado, que é o último nível, pois já tinha estudado inglês aqui no Brasil desde adolescente. Este nível é pra quem já se comunica bem na língua (eu realmente fiquei surpresa de cair nesse nível 🙂 ), porém, lá você treina a fluência, aprende vocabulário novo e corrige erros comuns que a gente comete. O fato de eu morar em casa de família me ajudou bastante também, porque na conversa do dia a dia eu já treinava com alguém de inglês “perfeito” (e não com outro estudante).

Intercâmbio na Irlanda: documentos necessários

Como eu ficaria só um mês, minha viagem se encaixava na categoria “turismo” e eu não precisei de visto. Só levei comigo os papéis que comprovavam meu estudo e a estadia, caso alguém exigisse algo. Na imigração, me perguntaram o que eu pretendia fazer no país e só.

Chegando em Dublin, peguei um ônibus para Galway que saía ali do lado do aeroporto. Há também a opção de trem, que é mais caro, e ambos são rápidos: eu cruzei o país em cerca de 3 horas. Chegando na rodoviária em Galway, peguei um táxi até a casa onde ficaria.

Para quem for ficar mais tempo, vai precisar de visto de estudante, mas a agência e a escola podem te dar todo o suporte quanto a isso e orientar quanto à documentação necessária.

castelo arredores Dublin

Moradia em Galway

A escola ficou encarregada de arranjar a acomodação pra mim e a agência Vision que fez a intermediação. Eu optei por ficar em casa de família.

A gente só sabe o perfil da pessoa com quem nos hospedaremos alguns dias antes do embarque. Há alguns filtros, claro, como, por exemplo, se está tudo bem pra você ter animais na casa, fumantes, etc. Ah, dá pra escolher também quarto compartilhado ou não. Eu quis um quarto só pra mim, mas na casa acabou que também estava hospedado um outro estudante em outro quarto.

O valor (também calculado por semana) é 205 euros e incluí café da manhã e jantar. A família, no caso, era somente a Mary, uma mulher de uns 50 anos que morava sozinha.

A casa ficava um pouco afastada da escola e do centro, mas quando eu digo “afastado” me refiro a uma caminhada de 30 minutos só. O que é pertíssimo se eu for comparar com São Paulo, que é onde moro.

onde ficar em galway

Custo de vida na Irlanda

Os meus gastos foram muito com transporte entre as cidades, tours e acomodação, já que viajei todos os finais de semana.

Em Galway, eu praticamente só gastava com o almoço e algumas besteirinhas que comprava ao longo do dia. Não achei as coisas caras no geral. Os hostels eram em torno de 12 euros, os tours eram no mínimo 30 euros (quanto mais longe e mais atrações, mais caros) e o ônibus de Dublin pra Galway foi em torno de 15 euros.

Pontos positivos de estudar em Galway

Galway não é tão badalada quanto a capital, mas ainda assim tem uma vida cultural e noturna bem bacana. Acho que ela mantém aquele clima de cidadezinha irlandesa mesmo, sabe? É uma das menores entre as cidades ‘grandes’ e é litorânea, pra quem gosta do contato com o mar. O que eu mais amei: as ruas medievais.

centro de galway

curso em galway

Pontos negativos de estudar em Galway

Pra quem pretende dar um pulo na Inglaterra, Galway não é uma boa pedida, pois fica no extremo oeste do país. Tem gente que fica em Dublin e consegue dar um pulinho em Londres, mas ficando em Galway as coisas complicam mais.

Além disso, por ser uma cidade litorânea, eu senti que o frio de lá era mais forte que nas outras cidades (mesmo estando no verão) e ainda vinha com a garoa fina.

Dicas de passeios a partir de Galway

Cliffs of Moher

Galway é perto de uma das principais atrações naturais irlandesas, o conjunto de penhascos Cliffs of Moher. Reze para não estar nublado e você correr o risco de não enxergar nada.

As agências de turismo ficam todas no centro da cidade e perto uma da outra, dá pra pesquisar bastante, mas as opões e preços não mudam muito.

Cliffs of Moher

Aran Islands

Quando eu falava pras pessoas que queria conhecer um lugar “mais irlandês autêntico possível, ou seja, celta” me recomendaram Aran Islands. É um conjunto de ilhas com muitos monumentos históricos onde a cultura celta mescla com a cristã. Algumas famílias moram na ilha e a língua antiga ainda prevalece, junto com o inglês. Pra chegar até lá, o tour forneceu um ônibus do centro de Galway até o porto, onde lá pegamos um barco grande. Este trajeto todo demora um pouco, mas nada grave. Só atenção para quem sente enjoos, melhor se prevenir.

Aran Island

Dublin

Em Dublin, fiquei em um hostel na rua de trás da famosa região Temple Bar. Por estar viajando sozinha e pela primeira vez, procurei albergues bem localizados e quartos femininos. Andei tranquilamente sozinha em Dublin à noite e pela região dos pubs onde alguns me pediram identidade para entrar (tem que ser maior de 21) e nem todos têm entrada gratuita.

Temple Bar Dublin

Cheguei em Dublin em uma sexta-feira e já deixei programado tours no sábado e domingo, pois segunda tinha que estar em Galway para a aula de inglês. Para achar as agências de turismo foi fácil, o pessoal do hostel me indicou a rua onde elas ficavam, fui até lá a pé, olhei os folhetos e fechei os passeios que mais me interessaram (queria fazer todos, na verdade).

No sábado fiz um tour que ia para locais históricos e sagrados que custou na época 35 euros. Pra mim foi mágico, era exatamente o que eu queria ver na Irlanda; a história do povo celta, Rei Arthur, bruxas e castelos me fascinam.

Já no domingo foi mais punk: fizemos um bate e volta até a Irlanda do Norte, uma viagem cansativa, mas que valeu a pena. Visitamos Belfast, a capital e cidade onde foi construído o navio Titanic, e a atração principal local que é a Calçada de Gigantes (Giant’s Causeway), formações naturais feitas de basalto.

calcada dos Gigantes

Cork

Em um dos fins de semana fui pra Cork também, uma das cidades grandes e importantes da Irlanda, ao sul. Ao chegar na cidade, como sempre, fiz o check-in no hostel e fui atrás das agências dos tours, onde fechei para o dia seguinte um passeio pela região conhecida como Ring of Kerry. É um passeio de ônibus que percorre várias cidadezinhas próximas a Cork, fazendo paradas em alguns lugares histórico/turísticos. O que chama atenção são as paisagens, pois a região de Ring of Kerry é considerada por muitos uma das estradas mais bonitas do mundo.

cork irlanda

Ring of Kerry

No dia seguinte dei um pulo até o Castelo de Blarney, fui de ônibus local mesmo (me informei no hostel). Lá é onde você pode ganhar o “dom da persuasão” se conseguir beijar a Pedra da Eloquência. A lenda é forte mesmo! Tinha várias pessoas na fila pra beijar a tal pedra, eu não fiz questão… 🙂

Dicas extras para quem quer estudar na Irlanda

Gostei bastante da gastronomia irlandesa. Eles comem muito peixe e frango. Também vi com frequência legumes e salada nos pratos, junto com arroz e batata. O café da manhã irlandês é famoso e pode ser encontrado em quase todos os restaurantes e pubs, mas eles não comem isso “oficialmente” no café. Eu experimentei um desses no almoço e achei bem gostoso, é um prato que vem feijão, bacon, tomate cozido, torrada, ovo, salsicha e chouriço (tá, o chouriço eu não comi não).

Eu senti muita falta de suco natural, os que têm lá são industrializados. O feijão não é um alimento diário igual aqui e senti falta disso também. Os pratos são bem servidos e não são caros. Eu comia até ficar satisfeita, depois continuava por gula e ainda assim sobrava comida no prato, que variava de 8 a uns 12 euros.

Você não pode deixar de comer o famoso “Fish ands chips” (peixe frito com batatas fritas), prato típico do país. Tem também o Irish Coffee, que é um café maravilhoso, mas bem forte, pois vai whisky em sua composição. É ótimo pra tomar no friozinho.

irish coffee

As cidades são pequenas (lembrem-se, eu moro em São Paulo haha) então eu fazia praticamente tudo a pé. Só usei ônibus em Galway e poucas vezes, pois eles demoravam pra chegar e as opções de linhas eram escassas. Acredito que é porque as pessoas usam muito a bicicleta como transporte ou vão a pé, quando não usam o carro mesmo. Eu não tive coragem de alugar bicicleta porque não tenho este hábito aqui então fiquei com medo, ainda mais porque as ruas são mão inglesa. Mas se você anda tranquilo de bike pela cidade, recomendo muito que alugue uma em Galway, vai te facilitar a vida!

Galway Salthill

Os irlandeses são bem simpáticos. Se esforçavam para me entender, repetiam quando eu pedia (e olha que eu pedi várias vezes) e davam informação sem pestanejar.

A Irlanda em geral é bem segura, mas como mulher eu sempre ficava mais atenta de noite e em lugares vazios. Uma coisa que eu estranhei muito e achei o máximo foi o fato de os policias não andarem armados e os caixas eletrônicos serem do lado de fora dos bancos, completamente abertos e a vista de qualquer um. As placas são escritas em inglês e na língua antiga, que é o gaélico.

galway placas em gaélico

Eu escolhi fazer meu intercâmbio na Irlanda em julho, quando é verão lá, mas esqueça do calor, é completamente diferente do Brasil. A maior parte do dia está frio, nublado e com chuviscos. Em compensação, quando sai sol, a cidade fica muito mais alegre. Todo mundo sai às ruas e deita nas gramas ao redor do rio pra sentir e curtir um pouco o calor.

A música e a dança irlandesa são maravilhosas. Sabe aquela cena do filme Titanic quando o casal protagonista vai pra festa na classe mais baixa do navio? É aquilo. Praticamente todos os pubs tocam essas músicas. A minha turma de sala até resolveu fazer uma aula de sapateado, foi demais. E é possível encontrar músicos tocando em quase toda esquina de Galway.

pub em Galway

O povo irlandês BEBE MUITO, sério. Dizem que é por que faz muito frio e eles não têm muito que fazer, então o rolê é sair à noite e ir pros pubs encher a cara de Guiness. AH, a famosa Guiness… não sou muito fã de bebida alcoólica, então experimentei a bebida e achei “normal”.

Minha intenção era conhecer o país inteiro, enquanto fazia meu intercâmbio na Irlanda. Então, eu tentei fazer isso ao máximo nos fins de semana. E eu consegui conhecer literalmente os 4 cantos do país, mas, mesmo assim, faltou bastante coisa. A Irlanda tem paisagens lindas, uma cultura incrível e um povo muito simpático e solícito. Gostei demais e espero voltar mais vezes!

* Fotos e texto: Luciana Console

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Sobre Turista Convidado

Os “turistas convidados” são amigos que viajam e querem contar e mostrar suas aventuras, encontrando no blog Turista Profissional um espaço para isso. São autores diversos, citados no início de cada artigo.

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Sem comentários

  1. Patrícia

    Que incrível! Amei!
    Gostaria de saber se há a possibilidade de fazer intercâmbio e hospedagem em casal?

    • Ana Catarina Portugal

      Foi como fizemos e ainda com uma filha de 2 anos. 😉

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