Post atualizado em 21/04/2026
Imagine um parque que reúna dezenas de estátuas de comunistas famosos… sim, existe e essa é uma de nossas dicas de Budapeste de hoje. Chama-se Memento Park: o museu das estátuas de comunistas de Budapeste.
Esse parque, apesar de não estar entre os pontos turísticos de Budapeste mais famosos, pra quem tem interesse nessa parte da história mundial é muito interessante, imperdível.
Eu, quando soube da existência dele, coloquei imediatamente no meu roteiro de Budapeste!
Então, se você se pergunta “o que fazer em Budapeste?”, eis aqui uma dica imperdível! Veja que incrível e coloque também em seu roteiro!
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Histórico: República Popular da Hungria
Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, a Hungria (à época Reino da Hungria) havia se aliado aos alemães, ajudando as tropas alemãs a invadirem a Ucrânia e a Rússia.
Depois, já na época do fim da Guerra, a União Soviética tomou a capital, na chamada “Ofensiva de Budapeste”, formando um governo de coalizão com o partido comunista, aboliu a monarquia húngara e instalou a Segunda República da Hungria.
Finalmente, em 1949, a Hungria tornou-se um estado socialista sob influência soviética (satélite da URSS).
Em 1956 aconteceu a chamada Revolução Húngara, uma revolta popular contra as políticas do governo da Hungria com a União Soviética. As revoltas, espalhadas por todo o país, derrubaram o governo e quase houve a separação da URSS. Porém, em uma reviravolta, a União Soviética passou a reprimir com mais violência a revolução e tropas invadiram Budapeste.
Depois de milhares de mortos e duzentos mil refugiados, o governo soviético assumiu o controle da Republica Popular da Hungria, agindo com total repressão a qualquer oposição.
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A saída definitiva da União Soviética da Hungria só veio a ocorrer na virada da década de 1980 para 1990, na onda da chamada Revoluções do Leste Europeu, quando houve a queda do comunismo, a queda do Muro de Berlim, etc.
As tropas soviéticas começaram a deixar a Hungria em 1989, saindo de lá definitivamente em junho de 1991.
Depois da saída da União Soviética, a população não queria mais nem um rastro do que foi o comunismo, nem mesmo as diversas estátuas comunistas espalhadas pela cidade.
Neste âmbito é que foi criado o Memento Park, em uma área afastada do centro, para abrigar as estátuas, preservando a história… mas de longe!
Então, mais do que “homenagem” ao comunismo, é um parque de preservação da história, e homenagem à queda do comunismo!

Memento Park e as estátuas de comunistas
O parque foi inaugurado em 1993 com o desenho do arquiteto Ákos Eleőd, vencedor do concurso. O local é bem fora da cidade e meio ‘escondido´. Chegando lá, não se tem dúvidas: já do lado de fora você consegue ver parte das estátuas lá de dentro – algumas enormes.
Ainda do lado de fora, em frente ao parque, há um pedestal com duas botas (quando fomos estava com um tapume… snif…). É uma réplica do que havia restado de uma escultura de bronze do Stalin, instalada na praça Felvonulási tér e originalmente com 8 metros de altura. Era em frente a esta praça que ocorriam os desfiles militares comunistas.
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Na época da Revolução Húngara (citada anteriormente, em 1956), o povo quebrou a estátua, deixando somente as botas no pedestal. Os comunistas removeram a estátua, que hoje é colocada ali para lembrar da luta contra a ditadura da época.
Aliás, essas botas são a única referência ao Stalin no Memento Park, porque todas as outras estátuas dele foram destruídas pelo povo ao fim da ocupação soviética na Hungria. E, pensando bem, essa também foi!
Em frente às botas, no muro de tijolos aparentes, ao lado do imenso pórtico de entrada, estão esculturas de três ícones do comunismo: Karl Marx, Friedrich Engels e Lênin. Essas esculturas de Marx e Engels são as únicas no parque que têm estilo diferente, meio cubistas.
Ingresso para o Parque Memento on line
Passando do portão de entrada, logo de cara encontramos o famoso “carro popular”, o carro Trabant. Sua carcaça é feita de unidades de plástico prensado, madeira, tecido e algodão – um produto exclusivo da República Democrática Alemã.
Ele foi produzido entre 1957 e 1991, seu nome queria dizer “companheiro de viagem” e ele era chamado carinhosamente de Trabi pelos alemães.
Uma vez lá dentro, você pode percorrer o espaço seguindo a própria arquitetura, andando pelo caminho de terra e pedrinhas e passando pelas esculturas, dando a volta até chegar novamente à saída.
No parque estão expostas 42 peças de arte da época comunista, dos anos 1945 a 1989. Há algumas bem famosas, que estão em todos os livros de história, algumas monumentais, com mais de 5 metros de altura, outras menores.
À direita, encontramos a estátua do Soldado do Exército Libertador (1947), feita de bronze e com 6 metros de altura. Ele segura uma bandeira com o martelo e a foice e tem uma metralhadora de disco pendurada no pescoço.

Ela ficava no alto do Gellért Hill, num pedestal do Monumento à Liberdade (em homenagem à libertação da Hungria, pelos soviéticos, da Alemanha nazista), no centro de Budapeste.
Este monumento não foi ‘exilado’ no Memento Park porque, hoje, significa a libertação da Hungria das próprias forças soviéticas.

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Outra escultura importante é a “Amizade Húngaro–Soviética”, um aperto de mão entre um pequeno camponês e um grande soldado soviético.
Além da que está no muro da frente, há outra Estátua de Lênin (de 1958), de mão estendida, que ficava em frente à siderúrgica húngara Csepel.
Ela havia sido instalada lá depois que o Primeiro Secretário do Partido Comunista da Rússia, Nikita Khrushchev, visitou a fábrica e comentou que deveria ter uma estátua ali que “lembrasse os trabalhadores da ideologia comunista e os encorajasse ao trabalho”.
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Lá está também o Memorial do Movimento dos Trabalhadores (1976), de István Kiss, feita em aço, simbolizando o ideal do movimento dos trabalhadores.
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O Monumento à “República Soviética Húngara” – tentativa frustrada de revolução comunista ao fim do Império Austro-Húngaro, em 1919 – tem uma figura bem conhecida, usada em pôsteres da época: é o trabalhador da ilustração “Às Armas!”, de Róbert Berény.
No caso da escultura – que também ficava na Felvonulási tér – é mais uma obra de István Kiss, de 1969. É imensa e ela clama pela nossa interação…
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O Monumento da Libertação também está lá (1971):

E outras obras que estão no Memento Parque (mas que não sei o nome):
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Por fim, no centro do Memento Park tem um jardim em forma de estrela vermelha, o símbolo internacional do movimento dos trabalhadores.
Nas épocas das flores, o jardim ganha flores vermelhas e o gramado fica verde, ou seja, muito mais bonito que a foto que eu tirei… rs.
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Então, já sabe: quando for a Budapeste – que é maravilhosa – não deixe de ir ao Memento Park, ver um pouco mais da história do país.
Memento Park – Informações úteis:
- Endereço: Hungria, 1223 Budapeste 22º distrito (sul de Buda) esquina da Balatoni ut e Szabadkai utca
- Como chegar: Tem um ônibus direto do centro de Budapeste, da Deak Square, todos os dias às 11h (do próprio Memento Park – veja mais no site). Outra opção é ir de metrô até a estação Kelenfold vasutallomas e de lá pegar os ônibus 101B, 101E e 150 para Budateteny vasutallomas (Campona).
- Funcionamento: Todas as atrações do Parque Memento estão abertas aos visitantes todos os dias das 10h até o anoitecer.
- Custo: Adultos: 3.500 HUF – Cartão de Budapeste (a entrada é gratuita, desconto de 20% no transporte direto de ônibus), Cartão Hungria (-33-66%).
- Site: https://www.mementopark.hu/
Boa viagem!
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