Post atualizado em 08/05/2026
Visitar o Memorial do Campo de Concentração de Dachau não é um passeio leve — mas é profundamente necessário.
Hoje, o Memorial de Dachau, localizado a cerca de 20 km de Munique, pode ser visitado facilmente em um bate-volta de meio dia saindo da cidade. Ele foi o primeiro campo de concentração oficialmente estabelecido pelo regime nazista, em 1933, e serviu de modelo para outros que viriam depois.
Se você ainda está planejando a viagem, veja também onde fica Munique e por que a cidade é uma excelente base para explorar o sul da Alemanha.
Nós fomos com nossas meninas, de 11 e 8 anos, que adoram aprender história. Foi um dia intenso, cheio de perguntas e reflexões. Não é um lugar “turístico” no sentido tradicional — é um espaço de memória, educação e consciência histórica.
Mas vale a pena!
Visitamos o Memorial de Dachau durante nossa última viagem a Munique, era inverno e dedicamos praticamente metade de um dia ao local.
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Campo de Concentração de Dachau: visita saindo de Munique
Veja as nossas dicas abaixo sobre como visitar Dachau e o que você vai encontrar por lá!
| Sumário: |
A história do Campo de Concentração de Dachau
Esse foi o primeiro Campo de Concentração erguido pelo movimento nazista – poucos meses após a ascensão de Adolf Hitler ao poder – e ele serviu inclusive de “modelo” para os outros.
Inicialmente, ele era destinado a prisioneiros políticos, mas depois passou a receber judeus, testemunhas de Jeová, homossexuais, ciganos, opositores do regime e todos os grupos perseguidos.
Ao longo de seus 12 anos de funcionamento, foram mais de 200 mil pessoas que passaram por ali, sendo que ao menos 40 mil morreram em decorrência de suas ações: execuções, fome, doenças, trabalhos forçados e experimentos médicos.
Perto dos números dos outros campos, como o Campo de Concentração de Auschwitz, na Polônia, os dados dos assassinados ali parecem “pequenos”, mas é porque Dachau não foi um exatamente um campo de extermínio, mas foi um centro de brutalidade sistemática e, como o primeiro a ser construído, foi base de treinamento para a SS.
No dia 29 de abril de 1945, Dachau foi desmantelado pelas tropas americanas.
Hoje, o local funciona como memorial e centro de documentação, preservando estruturas originais e reconstruções que ajudam a entender o que aconteceu por ali.

Como chegar ao Memorial de Dachau saindo de Munique
É muito fácil ir até lá, mesmo de transporte público – que foi o que fizemos – pois é um bate-e-volta a partir de Munique simples e muito bem sinalizado.
Siga os passos abaixo:
- Pegue o trem S-Bahn S2 (direção Dachau/Petershausen) na estação central de Munique.
- Desça na estação Dachau.
- Na saída, pegue o ônibus 726 até a parada “KZ-Gedenkstätte”.
O trajeto total leva cerca de 40 a 50 minutos.
A descida do ônibus é na entrada do complexo não tem erro, pois quase todo mundo desce lá. Qualquer coisa, pergunte ao motorista, mas nós nem precisamos perguntar.
- Dica prática: use o ticket de transporte diário da zona estendida (confira as zonas atualizadas antes de ir). Vale muito a pena.
Caso ainda esteja organizando o roteiro da cidade, veja também nosso guia completo sobre o que fazer em Munique.
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O que ver no Memorial de Dachau
A visita é autoguiada (entrada gratuita), mas, se você quiser conhecer mesmo a história local, recomendamos o uso de um audioguia ou uma visita guiada.
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1. O portão com a frase “Arbeit macht frei”
É o primeiro impacto. Essa frase “O trabalho liberta” era usada como instrumento de propaganda e crueldade psicológica. Ali já dá para sentir o peso do que vem pela frente.
Ela também está presente na entrada do Campo de Concentração de Auschwitz.


2. O pátio central (Appellplatz)
Assim que a gente entra e passa pelo portão, damos de cara com um imenso pátio. Era ali onde os prisioneiros ficavam horas em pé, sob frio extremo ou no calor, para contagem.
O espaço é enorme — e imaginar milhares de pessoas ali, em silêncio forçado, causa um choque difícil de descrever.

3. Barracões reconstruídos
Existiam no local um complexo de 34 barracões construídos entre 1937 e 1938, sendo quatro barracões funcionais e 30 barracões residenciais.
Todos esses alojamentos originais foram destruídos após a guerra, entre em 1964 e 1965.
Os dois barracões que podemos visitar hoje foram reconstruídos em 1965 para mostrar as condições de superlotação. Lá, encontramos uma exposição sobre o alojamento e as condições de vida dos prisioneiros.
Nos barracões havia uma área de convivência com mesas, bancos e armários e também uma área para dormir com beliches de madeira. Tudo isso está retratado nas reconstruções.
E os prisioneiros é que deveriam tomar conta deles. Mínimos desvios referentes à limpeza dos pisos, à organização dos armários e à arrumação das camas eram severamente punidos pelos chefes de bloco da SS.

Cada barracão foi projetado para 200 pessoas, mas, no final da guerra, estavam completamente superlotados.
E também havia, em um barracão, refeitório, escritório da administração, biblioteca, enfermaria, museu da SS e salas de treinamento para os prisioneiros que trabalhavam no campo.
Como dissemos, hoje só existem esses dois barracões que foram reconstruídos, mas dá para se ter uma ideia de como era, porque a planta dos 32 barracões restantes pode ser rastreada através das fundações de concreto moldadas em 1965, demonstrando onde eles ficavam.

Foi aqui que as Turistinhas nos fizeram muitas perguntas. Como havia fotos de lá tiradas na época da libertação, foi mais fácil visualizar.
Nós explicamos tudo de forma honesta, mas adequada à idade, focando em direitos humanos e respeito às diferenças.

4. A Prisão do Campo
Outro edifício presente no espaço e a antiga prisão do campo. Esse prédio é original, construído em 1937/38. Se nos barracões os prisioneiros era um inferno, aqui era a zona do verdadeiro terror, onde a SS as punições mais severas e torturava os prisioneiros para extrair confissões.
No meio, por onde a gente entra, tem os escritórios dos guardas, uma sala de exames e uma sala de triagem. A sala de interrogatório era à prova de som para que os gritos não escapassem.
De um lado e do outro desta entrada principal tem um grande corredor repleto de celas de confinamento solitário, onde os prisioneiros eram mantidos por semanas e meses com rações mínimas e sob constante vigilância.
Muitos prisioneiros morreram neste local. A gente anda pelos corredores e olha para dentro das celas com um aperto no coração imaginando os horrores que passaram por ali.
Por lá ficaram também presos políticos, prisioneiros de guerra da URSS e pessoas mais “importantes” e estratégicas para a guerra.
Veja também o vídeo mais abaixo das fotos.


5. Câmara de gás e Crematório
Talvez a parte da visita mais impactante e mais pesada emocionalmente seja a visita ao crematório. Originalmente, ela era cercada por um muro e separada do campo de prisioneiros, mas hoje a alcançamos por uma ponte por sobre um riacho.
Apesar de Dachau possuir uma câmara de gás ao lado do crematório, os assassinatos em massa por gás venenoso não ocorreram ali, não se sabe exatamente a razão. Mas, segundo o relato de uma testemunha ocular, alguns prisioneiros foram mortos por gás venenoso em 1944.
O crematório, no entanto, foi amplamente utilizado.
O primeiro crematório foi construído no início da guerra, quando o número de prisioneiros e a taxa de mortalidade aumentaram drasticamente.
Um ano após construído, ele já não dava conta e esse espaço, apelidado de “Barracão X”, foi erguido, começando a operar em 1943 com: um crematório com quatro incineradores, câmaras de desinfecção para roupas, instalações sanitárias e uma câmara de gás disfarçada de “vestiário”.



6. Espaços religiosos e memoriais
No Memorial do Campo de Concentração de Dachau foram construídos alguns espaços religiosos diversos, entre capelas católica, protestante e um memorial judaico — reforçando a importância da memória e do respeito. Vejam abaixo.
Capela Ortodoxa Russa
Para homenagear o terceiro maior grupo de vítimas do campo de concentração de Dachau, os prisioneiros soviéticos, ergueu-se o memorial “Ressurreição de Nosso Senhor”. A estrutura de madeira foi pré-fabricada em Moscou e erguida em Dachau em 1994 por soldados Russos.

Igreja Evangélica da Reconciliação
A Igreja Evangélica na Alemanha criou a Igreja Evangélica da Reconciliação como uma igreja memorial central para todas as vítimas do nazismo, inaugurada em 30 de abril de 1967.

Mosteiro Carmelita do Santo Sangue
A Ordem das Carmelitas Descalças, fundada no século XVI por Santa Teresa de Ávila, construiu ali o Mosteiro Carmelita do Sagrado Sangue e m 1964. O antigo campo de concentração de Dachau foi escolhido pela freira carmelita Irmã Maria Teresa para transformá-lo num lugar de oração.

Capela da Agonia de Cristo e Sino Memorial
O primeiro memorial religioso erguido foi a Capela Católica da Agonia de Cristo. A capela foi consagrada em 5 de agosto de 1960, durante o Congresso Eucarístico.
Tem o formato de uma estrutura cilíndrica se abre para o eixo central do antigo campo. Acima da entrada, encontra-se uma coroa de espinhos de ferro. O sino memorial em frente à capela toca uma vez por dia, pouco antes das 15h, a hora bíblica da morte de Jesus.

Qual desses monumentos você achou mais representativo e em qual deles você entraria para refletir e rezar?
7. Museu, Centro de Documentação e Sala Memorial
Uma das partes mais importantes da visita para quem quer realmente entender tudo o que aconteceu por ali.
A exposição principal do Memorial do Campo de Concentração de Dachau apresenta inúmeros documentos, fotos, relatos de sobreviventes e contextualização histórica ajudam a entender o funcionamento do regime.
Reserve tempo para ler. É denso, mas essencial.

Ao final da exposição, há a Sala Memorial, local que contém atualmente mais de 130 placas e pedras comemorativas tanto de indivíduos quanto de instituições que homenageiam pessoas vítimas do regime.
Lá você também pode consultar o “Livro Memorial dos Mortos do Campo de Concentração de Dachau”, em versões digital e impressa, onde se encontram os nomes dos prisioneiros que morreram em decorrência de tortura, assassinato e condições de vida desumanas.
Lá as vítimas estão identificadas por nome, nacionalidade, profissão, local e data de nascimento e data de falecimento dos prisioneiros. São 33.205 vítimas registradas, as outras não puderam mais ser localizadas.

8. Memorial Internacional
O Memorial Internacional foi projetado por Nandor Glid, judeu também perseguido pelos nazistas que venceu um concurso de arte organizado pela organização de sobreviventes CID em 1959, sendo a obra inaugurada em 8 de setembro de 1968.
O Memorial consiste em vários elementos, como um muro com inscrições diversas, um caminho para um ponto mais baixo que o nível do solo e uma grande escultura – que me lembrou bastante o quadro Guernica, de Picasso – representando pessoas cercadas por arame farpado e pilares de concreto estilizados.
E ainda se encontra, no Memorial, um relevo em forma de corrente, um túmulo com as cinzas de um prisioneiro desconhecido e a inscrição “Nunca mais” em cinco idiomas.

O que sentimos ao visitar Dachau
Não é um passeio comum. É silêncio, reflexão e, em muitos momentos, desconforto.
Mas é também aprendizado. Ver nossas filhas interessadas, fazendo perguntas e entendendo que intolerância e autoritarismo têm consequências reais foi algo marcante.
Dachau nos lembra que a história não é abstrata. Ela aconteceu ali. Em solo europeu. Há menos de 100 anos.
E para quem quer entender melhor o contexto histórico, uma visita guiada ao Memorial de Dachau faz muita diferença.

É apropriado visitar Dachau com crianças?
Depende da maturidade. Não há idade mínima oficial.
Com nossas filhas de 11 e 8 anos, a visita foi possível porque:
- Elas já estudaram o tema na escola.
- Explicamos o contexto antes de ir.
- Adaptamos o ritmo e não entramos em detalhes gráficos.
Se a criança é sensível ou muito nova, talvez seja melhor esperar. Mas nossas crianças estão acostumadas a nos acompanhar, conhecem dezenas de países e já viram muita coisa. A gente conversa abertamente com elas – com a linguagem adequada, claro – e elas fazem a reflexão delas sobre o acontecido.
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Quanto tempo reservar?
De 3 a 4 horas no total, incluindo deslocamento e visita.
Não é um lugar para “correr”. É um espaço de reflexão.
Quanto custa visitar o Memorial de Dachau?
A entrada no Memorial do Campo de Concentração de Dachau é gratuita.
O visitante paga apenas custos opcionais, como transporte até o local, audioguia ou visita guiada.
O audioguia oficial custa alguns euros e pode ser alugado na entrada, mas também existem visitas guiadas saindo de Munique, que incluem transporte e explicações históricas durante todo o trajeto.
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Vale a pena visitar Dachau?
Sim. Visitar o Memorial do Campo de Concentração de Dachau é uma experiência histórica profunda e educativa.
Mesmo sendo um passeio emocionalmente pesado, ele ajuda a compreender melhor os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial e a importância da memória histórica.
Entre castelos alpinos e cervejarias históricas, Dachau oferece outra perspectiva da Alemanha. Uma necessária, especialmente para quem está montando um roteiro com pontos turísticos da Alemanha.
É um passeio que exige respeito, atenção e sensibilidade. Mas que amplia a compreensão do século XX e reforça a importância da memória.
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- Inverno em Munique
- Como chegar a Munique
- O que fazer em Munique
- Munique com criança
- Cervejarias em Munique
- Dicas para visitar o Deutsches Museum
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