Roteiro de 5 dias na Amazônia

Atualizado em 15/04/2018

Para quem pensa que a Amazônia é só para gringo, está enganado. Com as frequentes promoções de passagens aéreas é possível conseguir voos com boas tarifas para Manaus, nosso ponto de partida. Mas atenção, é preciso um certo espírito de aventura!

Eu escolhi ir num voo que saía da minha cidade de noite e cheguei em Manaus às 00h, para que no dia seguinte já pudesse começar meu passeio logo pela manhã.

Em seguida vou relatar um “resumo” do meu roteiro de 5 dias na Amazônia, para que você tenha uma ideia das possibilidades, e depois escreverei posts mais detalhados sobre alguns aspectos dessa viagem incrível à maior floresta do mundo.

Rio Amazonas

DIA 1:

Por volta das 9h seguimos a pé em direção ao porto de Manaus, onde pegamos um barco rumo a nossa base na floresta. Foram quase 3 horas pelo Rio Negro. Esta é a época da cheia e no caminho passamos por cima da copa de muitas árvores. Pelo que tudo indica, este ano será a maior cheia que já houve por lá. Chegamos por voltas das 12h e depois do almoço saímos em uma espécie de canoa motorizada para conhecer os igapós próximos.

 Ponte sob o rio Negro

Rio Negro

Demos uma parada para tentar pescar piranha e, no fim da tarde, paramos nossa canoa no meio do rio, numa área com algumas copas de árvores, que é o local escolhido pelas andorinhas para dormir: é a verdadeira revoada dos pássaros. De princípio havia muito poucas, mas nosso guia garantiu que logo seriam milhares (segundo ele, às 18:04h eles começariam o show). E não é que os passarinhos são pontuais mesmo?! Eram milhares, rodando no ar e mergulhando nas árvores como se fossem mísseis: espetacular!!!

Já era noite e então, seguimos para uma focagem de jacaré.

Sensação incrível: noite fechada, num barquinho no meio de um rio enorme e “caçando” um jacaré, que possivelmente seria maior que nossa canoa. Não achamos o grandão (graças à Deus), mas conseguimos pegar um filhotinho. Valeu a aventura!!!

AndorinhasJacaré

DIA 2:

Logo de manhã saímos para uma caminhada de mais de 4 horas pelo meio da selva, conhecendo árvores, frutas e bebendo água de cipó (delícia).

Cipó de fogo

Ribeirinhos

 

 

 

 

 

Depois do almoço estávamos todos equipados para ter uma noite na selva. Seguimos em nossa canoa por horas, embrenhamo-nos por áreas alagadas: o cenário solitário era cinematográfico. Eis que, simplesmente, a área em que acamparíamos tinha sido coberta pela água de um dia para o outro: simplesmente sumiu do mapa!!! Nosso guia ainda tentou encontrar outro lugar, mas nada.

Floresta Amazônica Selva Amazônica

 

 

 

 

 

Então, qual seria o plano “B”?

Única opção: tentar dormir na varanda de algum ribeirinho, pois não poderíamos voltar para nosso hostel, já que não havia quartos para nós lá naquela noite, e também porque queríamos aventura. Ok, partimos para encontrar alguém que nos aceitasse.

AmazôniaDe repente, no meio daquela selva fechada e longe do rio principal, o motor da canoa pifou. Sim: PIFOU!!! No meio do nada, longe de qualquer chance de ajuda. Parece mentira, mas é a mais pura verdade.

Nossa tentativa, quase patética, foi cortar galhos de árvore e tentar remar até o rio principal (onde outros barcos passariam). Enquanto isso, nosso guia desesperado tentava consertar o motor. O silêncio era sepulcral!!! Só se ouvia os “remos” na água. Para nossa felicidade, José – o super guia – consertou o motor e conseguimos sair dali: uma alívio geral!!!

Logo depois, estávamos todos desesperados pra achar algo em que colocar os pés além da canoa, mas o José entrou com tudo no meio do mato, chegando a derrubar algumas pessoas com um galho que passou por cima da canoa, inclusive eu. Cena de comédia, com todo mundo desesperado. Ele sai da canoa, entra no mato, entra na água, sobe numa árvore e, momentos depois, volta com uma preguiça! Isso mesmo, uma preguiça! Ele a viu lá de longe, entrou no mato e a pegou pra gente tirar fotos. Linda!!!

Segurando uma preguiça

Finalmente partimos para a casa de um ribeirinho – uma casa flutuante – que prontamente cedeu sua varanda para todo o grupo e sua esposa ainda preparou um excelente jantar com os ingredientes que tínhamos. Experiência ímpar, que relatarei em um outro post, pois merece riqueza de detalhes!!! Um verdadeiro turismos antropológico!!!

Antes do jantar, o dono da casa nos levou para uns drinks na comunidade próxima, em um bar (flutuante). E, por fim, passamos nossa noite numa rede, pendurada na varanda da casa flutuante de um nativo no meio da floresta. Um céu estrelado que doía, uma barulheira de sapos e outros bichos que nem ouso imaginar quais eram. Indescritível!!!

Dormir na rede

Vizinhos

DIA 3:

Acordamos muito cedo, com o sol nascendo e com os botos cor de rosa pulando na nossa frente. Tomamos nosso café da manhã vendo esse espetáculo. As crianças da casa pulavam no rio para sua higiene matinal numa alegria que dava gosto de ver.

Então, fomos para um mergulho no rio junto com os botos. Infelizmente (ou não) o rio Negro é tão escuro (o que justifica o seu nome) que só vemos os botos quando eles vem bem à tona ou estão bem do nosso lado. De repente, sentíamos algum deles batendo em nossa pernas, mas logo eles se iam.

Boto cor de rosa Dolphin River Pink

Em seguida fomos visitar uma aldeia indígena e tivemos a sorte de assistir um ritual deles.

Para terminar nossa manhã, curtimos uma “praia” de rio.

Depois do almoço, foi a hora de pegar o barco de volta para Manaus.

ritual indígena índias

DIA 4:

Por volta das 9h, mais uma vez fomos para o porto e pegamos uma voadeira (lancha local) para ir ver o Encontro das Águas entre o rio Negro e o rio Solimões. O piloto da voadeira trabalhou com Jacques Cousteau, na época em que ele fez aqueles documentários na Amazônia!

Em seguida, fomos a casa de um riberinho que cria preguiça, jacaré, sucuris, pirarucus entre outros animais.

sucuri

com um jacarécom a preguiça

 

 

 

 

 

 

 

Para terminar o passeio da manhã, fomos ao Parque Ecológico Janauari, onde pudemos observar diversas vitórias-régias e um jacaré adulto.

vitória-régia

Voltamos para Manaus. De tarde seguimos para a visita guiada ao Teatro Amazonas e depois para a feirinha de artesanato, loja de guaraná e ao Mercado (em frente ao Porto) comprar ervas.

Teatro de Manau

Teatro Amazonas

De noite, na praça onde está localizado o Teatro há alguns barzinhos e restaurantes, e, também a barraca da Gisela, onde você poderá comer tacacá, comida típica com um sabor bem exótico.

Pós

Tacacá

 

 

 

 

 

DIA 5:

artesanatoInfelizmente, o dia de ir embora: comprinhas finais, últimas fotos e rumo ao aeroporto, para algumas boas horas de avião. Fim da aventura!!!

Como perceberam, fomos na época da cheia. Se quiserem ir na seca, setembro ou outubro é uma boa opção.

Dicas: se for viajar para lá em grupo ou em família, ao menos umas 4 pessoas, sai mais em contra chegar no porto e negociar um barco com algum pescador, do que contratar tours (que são bem caros em geral). Um barco médio, com cozinha, banheiro e com espaço para dormir (com redes ou colchonetes) pode ser conseguido por R$300 ou R$400 reais por dia, dependendo de seu poder de negociação. Eles podem ficar dias a sua disposição e te levar onde quiser. Algumas sugestões de destinos é ir até o arquipélago de Anavilhanas ou, se tiver mais tempo, até Novo Airão.

Bom, este post era para ser um resumo das aventuras, mas acabou ficando maior do que o esperado.

Em breve, detalhes de algumas dessas aventuras e mais dicas. Aguardem!!!

BoaS viagenS!!!!

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22 COMENTÁRIOS

  1. Oi ana, Adorei o seu roteiro, estamos pensando viajar para o proximo ano para fazer tudo isso que voce fez, muito legal. obrigado pela informacao.

  2. Cara Ana,

    Estou me planejando viajar para a Amazônia em maio de 2016, para ficar 7 dias, mas também tenho muitas dúvidas sobre hospedagem em hostel, passeios em lugares que possa sentir a floresta e não tão distante de Manaus e atrativos locais que remetam à cultura indígena. Estou tão ansioso para conhecer a maior floresta do mundo, mas fico confuso para iniciar o planejamento, pois queria visitar lugares que mostrassem a exuberância da floresta. Sua viagem me deixou arrepiado! Juro que não sei por onde começar com tanta diversidade.

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